O versículo exorta os crentes a se revestirem de uma nova natureza espiritual, que é conforme o padrão de Deus e se manifesta em genuína justiça e santidade.
Explicação Histórica
A expressão 'vos revistais' (endysasthe) utiliza uma metáfora de vestimenta, indicando uma ação ativa e contínua de vestir uma nova identidade, que é o 'novo homem' (kainon anthropon). Este 'novo homem' não é uma melhora do antigo, mas uma nova criação. A frase 'segundo Deus' (kata Theon) indica que essa nova criação tem sua origem, modelo e padrão em Deus. 'Justiça' (dikaiosyne) refere-se à retidão moral e conduta correta perante Deus e os homens, enquanto 'santidade' (hasioteti) denota pureza e consagração, especialmente no sentido de devoção a Deus, livre de impurezas morais e espirituais. O uso de 'verdadeira' (aletheia) enfatiza a autenticidade e a sinceridade dessa justiça e santidade, em contraste com a hipocrisia.
Interpretação Doutrinária
Este versículo fundamenta a doutrina pentecostal da nova vida em Cristo, que se inicia com o arrependimento e o novo nascimento. A 'nova criatura' (2 Coríntios 5:17) é um ato divino que capacita o crente a viver em conformidade com a vontade de Deus. A 'verdadeira justiça e santidade' não são meras obras humanas, mas o resultado da obra do Espírito Santo no crente, evidenciando uma transformação interior que se manifesta exteriormente e aponta para a busca contínua pela santificação. Os dons espirituais são instrumentos que auxiliam nessa jornada de edificação do 'novo homem'.
Aplicação Prática
O crente deve buscar diariamente a manifestação do 'novo homem' em sua vida, exercitando a fé e a obediência à Palavra de Deus. Isso implica em abandonar práticas antigas e pecaminosas, e cultivar uma conduta marcada pela retidão, pureza e dedicação a Deus, permitindo que a luz de Cristo brilhe em todas as suas ações e pensamentos.
Precauções de Leitura
É crucial evitar a interpretação de que o 'novo homem' é uma conquista meramente por esforço humano. A criação 'segundo Deus' ressalta a origem divina dessa nova natureza, da qual o crente participa ativamente, mas não inicia por si mesmo. Tampouco se deve confundir justiça e santidade com formalismos religiosos ou legalismos; elas são frutos autênticos da regeneração espiritual e da vida no Espírito.