"QUANDO um homem tomar uma mulher e se casar com ela então será que se não achar graça em seus olhos por nela achar coisa feia ele lhe fará escrito de repúdio e lho dará na sua mão e a despedirá da sua casa"
Textus Receptus
"Quando um homem tomar uma mulher, e a desposar, e acontecer dela não encontrar benevolência aos seus olhos, por ele ter encontrado nela alguma impureza, então ele lhe escreverá uma carta de divórcio, e a entregará na sua mão, e a despedirá de sua casa."
O homem que se divorcia de sua esposa por achar nela algo desagradável deve formalizar o divórcio com um documento escrito e a dispensar de sua casa.
Explicação Histórica
O termo hebraico 'eryat davar' (coisa feia) é interpretado como algo inconveniente ou vergonhoso. O 'sefer keritut' (livro de repúdio) era um documento formal que comprovava o divórcio, desobrigando o homem de qualquer responsabilidade futura para com a ex-esposa e permitindo que ela se casasse novamente. A 'despedida da casa' significava a separação legal e doméstica.
Interpretação Doutrinária
A lei mosaica, neste contexto, não institui o divórcio como ideal, mas o regula como uma concessão permitida por Moisés devido à dureza do coração humano (Mateus 19:8). A necessidade de um documento de repúdio demonstra a seriedade da instituição matrimonial e a proteção mínima à mulher, garantindo sua liberdade para buscar outro relacionamento caso necessário. A CCB entende que o casamento é uma instituição divina, mas reconhece que as Escrituras permitem o divórcio em certas circunstâncias, embora o ideal bíblico seja a permanência no matrimônio.
Aplicação Prática
Embora a lei civil específica do Antigo Testamento não seja diretamente aplicável hoje, o princípio subjacente da seriedade do casamento e a necessidade de um processo claro e documentado em casos de separação ainda ressoam. Para os cristãos, o ideal é a fidelidade e a reconciliação no casamento. Contudo, em casos extremos onde a convivência se torna impossível, o divórcio pode ser considerado, buscando sempre a santificação e a paz (1 Coríntios 7:15).
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como uma aprovação divina do divórcio como algo desejável ou isento de consequências. Jesus Cristo, em Mateus 19:3-9, restringe as causas do divórcio à infidelidade sexual, o que é uma interpretação mais elevada e restritiva do que a permissividade de Deuteronômio 24. Deve-se evitar o uso deste texto para justificar divórcios levianos ou frequentes.