"Quando um homem tiver duas mulheres uma a quem ama e outra a quem aborrece e a amada e a aborrecida lhe derem filhos e o filho primogênito for da aborrecida"
Textus Receptus
"Se um homem tiver duas esposas, uma amada e outra odiada, e elas lhe derem filhos, tanto a amada como a odiada, e se o primogênito for filho da esposa odiada; "
O versículo introduz uma situação legal complexa envolvendo a poligamia, onde a herança do primogênito é especificamente protegida, mesmo que ele seja filho da esposa menos amada.
Explicação Histórica
O texto hebraico usa 'shnê ishâh' (duas mulheres) e especifica a relação emocional com 'ahêv' (amar) e 'śanê' (aborrecer/odiar). A frase 'ben habbekôr' refere-se ao primogênito, aquele que tem direito à dupla porção da herança (Deuteronômio 21:17), independentemente do afeto do pai pela mãe.
Interpretação Doutrinária
Este texto, embora descreva uma prática permitida no Antigo Testamento (poligamia), não a endossa como um ideal divino. A lei mosaica, ao regular a sucessão em tais casos, demonstra a preocupação de Deus com a ordem e a justiça dentro da sociedade israelita, mesmo em circunstâncias imperfeitas. A primogenitura, mesmo de um filho nascido de uma esposa 'aborrecida', é protegida, refletindo um princípio de justiça e ordem estabelecida por Deus, não necessariamente um mandamento para a poligamia.
Aplicação Prática
A aplicação para o cristão hoje reside no princípio de justiça e imparcialidade, mesmo em circunstâncias difíceis ou em relacionamentos imperfeitos. Devemos evitar favoritismos e reconhecer os direitos e responsabilidades devidos a cada pessoa, especialmente dentro da família, baseando nossas ações na verdade e na justiça, e não em meras emoções passageiras.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como uma aprovação bíblica da poligamia para os cristãos. A poligamia foi uma concessão na Lei Mosaica, tolerada devido à dureza dos corações (Mateus 19:8), mas não faz parte do plano original de Deus para o casamento, que é monogâmico (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-5). O foco da lei é a ordem da sucessão, não a prática da poligamia em si.