"Então o rei dirigiu-se para o seu palácio e passou a noite em jejum e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música e fugiu dele o sono"
Textus Receptus
"Então o rei foi para o seu palácio, e passou a noite jejuando; nem foram trazidos os instrumentos de música perante ele, e apartou-se dele o seu sono."
Após Daniel ser lançado na cova dos leões, o rei Dario passou a noite em profunda aflição, jejuando, recusando qualquer entretenimento e perdendo o sono.
Explicação Histórica
A expressão 'passou a noite em jejum' (do hebraico סָגַר - sagar, 'fechar', 'abster-se'; ou, em aramaico, צם - tsum) indica abstinência completa de alimentos e, possivelmente, de água, como um sinal de luto, súplica e profunda perturbação. O rei 'não deixou trazer à sua presença instrumentos de música' (דַּחֲוָן - daḥawan, que se refere a concubinas ou entretenimento), significando que abdicou de prazeres e distrações palacianas. A frase 'fugiu dele o sono' é um idiomatismo que expressa insônia severa, resultado de sua intensa preocupação e angústia.
Interpretação Doutrinária
Este texto ilustra o impacto que a vida íntegra e a fé de um servo de Deus podem ter, mesmo sobre autoridades seculares. A aflição de Dario e sua conduta de abstinência demonstram a seriedade do momento e, embora não fosse um ato de fé salvadora no sentido cristão, reflete uma súplica e reconhecimento da gravidade da situação perante o Deus de Daniel. Isso reforça a doutrina pentecostal da providência divina e do poder de Deus em manifestar livramento em resposta à fé e à intercessão, mesmo que a angústia venha de um não-crente que testemunha a justiça de um filho de Deus.
Aplicação Prática
A vida de integridade e fé do cristão pode influenciar até mesmo aqueles que não compartilham da mesma fé, gerando testemunho. Em momentos de grande aflição, a busca por Deus com seriedade, através do jejum e da oração, é um caminho para a manifestação do Seu poder e milagres, reforçando a confiança na Sua capacidade de livramento.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar o jejum de Dario como um ato de fé salvadora ou como um modelo perfeito de jejum cristão. Ele jejuou por angústia e preocupação com Daniel, não por arrependimento para salvação. Sua atitude, embora admirável, é um reconhecimento do Deus de Daniel e da injustiça, e não uma conversão pessoal, conforme se observa no restante do capítulo.