"Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças a qual de alguma maneira nos era contrária e a tirou do meio de nós cravando-a na cruz"
Textus Receptus
"apagando a escrita de ordenanças que era contra nós, a qual nos era contrária, e tirou-a do meio de nós, cravando-a na sua cruz. "
Cristo anulou a cédula de dívida, que eram as ordenanças da Lei que nos condenavam, removendo-a de nós ao cravá-la na cruz.
Explicação Histórica
A expressão 'riscado a cédula' (do grego 'cheirographon' e 'exaleipsas') refere-se à anulação completa de um documento de dívida ou acusação, ou seja, as exigências da Lei que condenavam o pecador. As 'ordenanças' (dogmasin) são os decretos e preceitos da Lei Mosaica, os quais eram 'contrários' a nós por revelarem e condenarem o pecado (Romanos 3:20; Gálatas 3:10). 'Cravando-a na cruz' é uma metáfora poderosa, indicando que a morte de Cristo na cruz foi o ato definitivo que satisfez e, consequentemente, removeu a condenação da Lei sobre os crentes.
Interpretação Doutrinária
Este versículo fundamenta a doutrina da redenção completa em Cristo, enfatizando que Sua obra na cruz é suficiente para a remissão dos pecados. A 'cédula' representa a condenação que pesava sobre a humanidade devido à quebra da Lei. Ao cravá-la na cruz, Cristo nos libertou do jugo do legalismo e da necessidade de cumprir a Lei para justificação, estabelecendo a salvação pela graça mediante a fé (Efésios 2:8-9). Essa obra garante ao crente a paz com Deus e a liberdade para viver uma vida de santificação, não por obras, mas pelo poder do Espírito Santo.
Aplicação Prática
O cristão deve reconhecer a profundidade do sacrifício de Cristo, que anulou toda a dívida do pecado e a condenação da Lei. Isso deve gerar gratidão e confiança na salvação oferecida, encorajando-nos a viver em liberdade espiritual e a buscar a santificação por amor a Deus, sem nos submetermos a rituais ou filosofias que tentem adicionar algo à obra perfeita de Jesus.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar esta liberdade da Lei como uma licença para o pecado (Romanos 6:15). A abolição da função condenatória da Lei não elimina os princípios morais divinos, que continuam válidos sob a graça e são cumpridos no amor (Romanos 13:8-10). A busca pela santificação pessoal, capacita pelo Espírito Santo, permanece um mandamento para o crente (Hebreus 12:14).
Referências Citadas
Romanos 3:20, Gálatas 3:10, Efésios 2:8-9, Romanos 6:15, Romanos 13:8-10, Hebreus 12:14