"Sabendo isto que a lei não é feita para o justo mas para os injustos e obstinados para os ímpios e pecadores para os profanos e irreligiosos para os parricidas e matricidas para os homicidas"
Textus Receptus
"sabendo isto, que a lei não é feita para um homem justo, mas para os injustos e desobedientes, para os ímpios e pecadores, para os irreligiosos e profanos, para os assassinos de pais e assassinos de mães, para os homicidas, "
O versículo estabelece que o propósito da Lei divina não é restringir os justos, mas sim expor e coibir os atos dos injustos e pecadores. Ela serve para identificar e condenar a impiedade, detalhando a quem se aplica sua função reguladora.
Explicação Histórica
A expressão 'Sabendo isto' (eidos touto) introduz uma verdade fundamental que Paulo deseja que Timóteo e a igreja compreendam. 'A lei não é feita para o justo' (nomos dikaiou ou keitai) significa que a Lei não serve como jugo ou condenação para aquele que já foi justificado pela fé em Cristo, nem como um meio para sua justificação. A longa lista de transgressões que se segue ('injustos e obstinados', 'ímpios e pecadores', 'profanos e irreligiosos', 'parricidas e matricidas', 'homicidas') detalha as categorias de pessoas cujas ações são o alvo direto da Lei, sublinhando sua função como reveladora do pecado e balizadora da conduta moral.
Interpretação Doutrinária
Conforme a doutrina pentecostal, a Lei revela a pecaminosidade da humanidade e a necessidade universal de salvação em Cristo. Para o crente, justificado pela fé, a Lei não é um meio de salvação nem um sistema de méritos, mas um espelho da santidade de Deus e um guia moral. O Espírito Santo capacita o justo a viver em retidão, cumprindo a 'justiça da lei' (Romanos 8:4) não por esforço próprio, mas pela fé. A Lei condena o pecado, e a graça de Cristo redime o pecador.
Aplicação Prática
O cristão deve compreender que a liberdade em Cristo não significa licença para pecar, mas a capacitação pelo Espírito para viver uma vida santa. Reconhecendo que a Lei expõe o pecado e as suas consequências, o crente é impelido a buscar uma vida de retidão, arrependimento e dependência da graça divina, manifestando os frutos da justiça e santificação.
Precauções de Leitura
É crucial evitar o erro do antinomianismo, que ignora a relevância da Lei para o cristão, ou do legalismo, que tenta obter salvação ou justificação pela obediência à Lei. A Lei continua a definir o que é pecado e a revelar a santidade de Deus, mesmo para o crente que vive sob a graça. O 'justo' neste contexto é aquele justificado pela fé, não alguém que vive sem pecado por mérito próprio.