"O que vimos e ouvimos isso vos anunciamos para que também tenhais comunhão conosco e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo"
Textus Receptus
"O que vimos e ouvimos vos declaramos, para que também possais ter comunhão conosco; e verdadeiramente a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo."
O versículo afirma que a proclamação apostólica do Cristo testemunhado visa estabelecer comunhão dos crentes com os apóstolos e, consequentemente, com Deus Pai e Jesus Cristo.
Explicação Histórica
A expressão "O que vimos e ouvimos" reitera o testemunho sensorial e direto dos apóstolos sobre a encarnação de Jesus Cristo, conforme estabelecido nos versículos 1 e 2. "Isso vos anunciamos" (apaggellomen) indica a declaração solene e a proclamação da mensagem divina. A palavra chave é "comunhão" (koinonia), que no contexto bíblico denota uma participação conjunta, parceria, união e partilha de vida ou fé. Aqui, primeiro refere-se à comunhão com os apóstolos em sua experiência com Cristo e, subsequentemente, à união com "o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo", denotando a natureza divina e central desta koinonia.
Interpretação Doutrinária
Este versículo solidifica a doutrina da salvação e da vida cristã como uma experiência de comunhão profunda com a Trindade. A aceitação do testemunho apostólico (a Palavra de Deus) é o meio pelo qual os crentes são introduzidos nesta comunhão com o Pai e o Filho, uma verdade central para a experiência pentecostal. A comunhão é resultado de arrependimento e fé em Jesus Cristo, que une o crente a Deus, e é mantida por meio de uma vida de santificação e obediência, manifestando a presença atuante do Espírito Santo, que facilita essa koinonia espiritual.
Aplicação Prática
O crente deve buscar diligentemente aprofundar sua comunhão com Deus Pai e com Jesus Cristo, fundamentando-se na Palavra anunciada pelos apóstolos. Isso implica uma vida de oração, leitura bíblica e obediência, reconhecendo que essa união espiritual é a fonte de vida e alegria. A comunhão com os irmãos na fé, embasada na mesma fé em Cristo, reflete e fortalece a comunhão vertical com Deus.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar a frase "para que também tenhais comunhão conosco" de seu desdobramento, "e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo". A comunhão com os apóstolos não é um fim em si mesma, mas o caminho para a comunhão divina. Evitar interpretar a "comunhão conosco" como uma exclusividade hierárquica ou meramente humana, mas sim como a partilha da mesma fé e experiência espiritual que os apóstolos viveram com Cristo, levando todos à mesma relação com Deus. Não se deve, também, minimizar a importância do testemunho histórico de Cristo contra qualquer forma de gnosticismo ou negação da sua encarnação, que João visava combater.